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PAULO SOUZA LIMA

 Sociólogo, Escritor

TESTEMUNHA

Esta serra é e está como a mais próxima de nós, no Barreiro. O verbo denota uma ação e no caso dela, a nossa serra, às vezes é difícil entendermos que um acidente geográfico é. Ali, como uma ruga na terra, que se formou há milhões de anos, tem sua existência entendida como uma referência física que aparenta firmeza, por mais que os quânticos digam que tudo se move e ela também. Também o vento e a chuva trabalham sobre ela.

Nossa linguagem nos permite entender sua dicotomia. Está firme na sua constituição, mas, mais que estar presente, ela é. Por mais que se possa até não olhar para ela, ela está ali: firme, majestática e suave ao mesmo tempo.

É como mais um elemento da composição da nossa vida de habitante deste Planeta azul, que o destino e a história colocou nas fraldas da sua firmeza existencial. É um marco que une e divide como referência geográfica que demarca a localização das nossas vidas físicas nas urbis que construímos e é ao mesmo tempo uma observadora-participante da história de nossas vidas. Tanto que ali criamos o parque motivo destas belas fotos. Parece observar, na sua majestade física, a composição ambiental do seu entorno.

Virou personagem quando se tornou referência para a saga bandeirante de buscar riqueza e construir civilização nos rincões das minas gerais e até quando a paixão rolou com a moça pelo seu penhasco. Ai a tristeza foi tanta que ela até parece que chorou. Reconhecemos esta tristeza e lhe demos este acidente como epíteto, motivo de descrição poética.

É suave e quase sensual em suas formas amorradas na direção da Capital, para onde doa águas que foram de vital importância para a constituição da Colônia hortigranjeira do Barreiro.  É imponente e quase agressiva na direção do vale do Paraopeba, onde retém a umidade da chuva e teima em formar os afluentes do grande e sofrido, quase-morto, rio.

É testemunha da nossa vinda para cá e, depois que sairmos desta presente encarnação, continuará contando para todo o Universo as histórias, pequenas e significativas, que acompanhou de cada um de nós. Por tudo isto, serra em que rolou a moça, obrigado pela sua presença testemunhal em nossas vidas.

 

 



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