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Descobri a mineira Serra do Rola Moça em um
livro do paulista Mário de Andrade e me
apaixonei pelo poema.
A
Serra do Rola Moça não tinha esse nome não
Eles eram do outro lado/ Vieram na vila
casar/ E atravessaram a serra/ O noivo com a
noiva dele/ Cada qual no seu cavalo
Antes que chegasse a noite/ Se lembraram de
voltar/ Disseram adeus pra todos/ E
puseram-se de novo/ Pelos atalhos da serra/
Cada qual no seu cavalo
E
a Serra do Rola Moça/ Não tinha esse nome
não
Os dois estavam felizes/ Na altura tudo era
paz/ Pelos caminhos estreitos/ Ela na
frente, ele atrás
E
riam, como eles riam! Riam até sem razão
A
Serra do Rola Moça não tinha esse nome não
As tribos rubras da tarde/ Rapidamente
fugiam/ E apressadas se escondiam/ Lá
embaixo nos socavões/ Temendo a noite que
vinha
Porém os dois continuavam/ Cada qual no seu
cavalo
E
riam, como eles riam! E os risos também
casavam/ Com as pisadas dos cascalhos
Que pulando levianinhos/ Da vereda se
soltavam/ Buscando despenhadeiro
A
Serra do Rola Moça não tinha esse nome não
Há! fortuna inviolável!
O
casco pisara em falso/ Dão noiva e cavalo um
salto
Precipitados no abismo/ Nem um baque se
escutou
Fez-se um silêncio de morte...
Na altura tudo era paz...
Chicoteando o seu cavalo/ No vão do
despenhadeiro/ O noivo se despenhou
E
a Serra do Rola Moça Rola Moça se chamou
A paixão foi tamanha que eu o
musiquei e gravei no LP de 1987 intitulado
Coração Malandro . Depois conheci a Serra e
me encantei com ela. Caminhei, parei,
observei, segui enamorado daquela natureza
que, se Deus quiser será preservada para
todo o sempre. O encantamento foi tão grande
que escrevi um livro com o mesmo título. E
sonho um dia transformá-lo em tema para
desfile de uma grande escola de samba, pois
dará, com toda certeza, um belo samba
enredo. |