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José Renato
Consultor Empresarial

Uma lição que já faz quase 20 anos, mas durará por muito mais

Interessante a oportunidade que temos em crescermos tanto pessoalmente como profissionalmente a partir das experiências e até mesmo, momentos compartilhados com outras pessoas.

São situações que se repetem diariamente e, sem qualquer sombra de dúvida, ótimas chances de aprendizado. Ao pensarmos dessa forma, podemos ter a certeza que todo novo dia pode nos reservar grandes e espetaculares oportunidades.

Normalmente desejamos que apenas coisas boas nos aconteçam todos os dias. Sem dúvida, que seria muito acalentador termos esta possibilidade, no entanto, perderíamos algo que é, muitas vezes, para não dizer, sempre, essencial para a nossa existência. Este “algo” é que nos faz superar os desafios, as dificuldades e barreiras que surgem a nossa frente.

Exatamente por isso, que não é possível afirmar que o nosso crescimento dependa necessariamente das dificuldades que superamos. Não quero dizer com isso, que seja essencial o sofrimento, no entanto, existem certas características que tendem a ficar escondidas, e se mostram presentes apenas quando nos deparamos por dificuldades.

O mais importante ainda é que, em toda situação, quer ela ocorra na família, entre amigos ou em nossas atividades profissionais, estas chances de aprendizado se deparam diante de nossos olhos. Por mais que na maioria das vezes, tentemos lançar o nosso olhar para o lado, ou simplesmente, não enxergar a oportunidade. Ë exatamente neste momento que sofremos, e não precisaríamos.

Peço licença para comentar sobre algo que aconteceu comigo já faz quase 20 anos (acreditem tenho idade para isso rs rs), mas nos últimos dias, a partir de um contato de uma amiga que me enviou um inusitado e-mail, cerca de duas semanas atrás.

Usei o termo inusitado, porque fazia muito tempo, mas muito tempo mesmo, que não tinha notícias dela. E podem acreditar que foi muito surpreendente para mim, receber esta mensagem dela, pois me fez recordar de uma determinada situação que me aconteceu comigo, ainda nos tempos de faculdade.

Ainda com vinte e poucos anos, me interessei desenfreadamente, com uma colega de faculdade. Aliás, não era exatamente uma colega, pois estava dois anos antes que eu no curso, no entanto, tentei fazer de tudo para que passasse a ser percebido por ela. Até mesmo passar a dar carona para ela quase todos os dias. Detalhe, as aulas da faculdade aconteciam em outra cidade, próxima a São Paulo, perto de onde eu morava, enquanto ela morava na zona sul da capital paulista.

Pois bem, isto obviamente é apenas um pequeno exemplo de coisas sobre as quais me permiti estar submetido, por livre e espontânea vontade. Pode ter certeza que houve muitas outras, como deixar todo dia que eu dava carona para ela, um cartão com algum tipo de mensagem que expressasse o meu sentimento. Foram perto de 100 cartões. Confesso que tenho certeza que outros apaixonados chegaram a fazer sacrifícios muitos maiores do que os meus.

Mas a questão que gostaria de destacar não é a paixão sem limite, que jamais foi correspondida, mas sim a forma pela qual uma pessoa, no caso eu, se predispõe a se colocar deliberadamente sob o controle da outra, de forma espontânea e sem qualquer orientação da outra parte quanto a esta necessidade.

Obviamente que esta relação não se concretizou, pois não seguia o preceito básico, a reciprocidade. Sofri muito, passei muitos dias com uma grande tristeza comigo e tentei de várias maneiras deixar que este sentimento permanecesse do meu lado. Para falar a verdade, foram alguns anos, que me ajudaram a entender e, principalmente, a aprender com toda esta situação.

Mas já faz tanto tempo, não? Sim, mas com certeza, creio que foi o fato mais marcante que aconteceu durante os meus tempos de faculdade e que me ajudou muito para a minha formação como pessoa e profissional: “É impossível “fazer” com que alguém goste ou respeite você, se você próprio não fizer isso por você”.

Bem, já faz 20 anos, tenho certeza que o e-mail que recebi desta minha outra colega, que compartilhava desta carona também, pode ter sido apenas uma coincidência, mas foi muito legal relembrar disso.

Quanto a outra pessoa, que me propiciou este aprendizado, nunca mais falei com ela, não porque tivesse ficado qualquer sentimento negativo, mas a vida faz isso com todos. Muitas pessoas entram e saem de nossas vidas de maneira muito intensa.

Possivelmente ela deve ter constituído família com muitos filhos, tenha uma carreira profissional em alguma área, que confesso sequer sei qual é, e talvez nem mesmo no Brasil ela esteja. Na verdade, e sinceramente, as lições que tive foram e serão ainda mais marcantes para mim e por isso só tenho palavras de agradecimentos e votos de felicidades para ela, assim como para todos que, mesmo sem saber, diariamente, nos ajudam a crescer.

José Renato
Consultor Empresarial
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