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Interessante a oportunidade que temos em
crescermos tanto pessoalmente como
profissionalmente a partir das experiências
e até mesmo, momentos compartilhados com
outras pessoas.
São situações que se repetem diariamente e,
sem qualquer sombra de dúvida, ótimas
chances de aprendizado. Ao pensarmos dessa
forma, podemos ter a certeza que todo novo
dia pode nos reservar grandes e
espetaculares oportunidades.
Normalmente desejamos que apenas coisas boas
nos aconteçam todos os dias. Sem dúvida, que
seria muito acalentador termos esta
possibilidade, no entanto, perderíamos algo
que é, muitas vezes, para não dizer, sempre,
essencial para a nossa existência. Este
“algo” é que nos faz superar os desafios, as
dificuldades e barreiras que surgem a nossa
frente.
Exatamente por isso, que não é possível
afirmar que o nosso crescimento dependa
necessariamente das dificuldades que
superamos. Não quero dizer com isso, que
seja essencial o sofrimento, no entanto,
existem certas características que tendem a
ficar escondidas, e se mostram presentes
apenas quando nos deparamos por
dificuldades.
O mais importante ainda é que, em toda
situação, quer ela ocorra na família, entre
amigos ou em nossas atividades
profissionais, estas chances de aprendizado
se deparam diante de nossos olhos. Por mais
que na maioria das vezes, tentemos lançar o
nosso olhar para o lado, ou simplesmente,
não enxergar a oportunidade. Ë exatamente
neste momento que sofremos, e não
precisaríamos.
Peço licença para comentar sobre algo que
aconteceu comigo já faz quase 20 anos
(acreditem tenho idade para isso rs rs), mas
nos últimos dias, a partir de um contato de
uma amiga que me enviou um inusitado e-mail,
cerca de duas semanas atrás.
Usei o termo inusitado, porque fazia muito
tempo, mas muito tempo mesmo, que não tinha
notícias dela. E podem acreditar que foi
muito surpreendente para mim, receber esta
mensagem dela, pois me fez recordar de uma
determinada situação que me aconteceu
comigo, ainda nos tempos de faculdade.
Ainda com vinte e poucos anos, me interessei
desenfreadamente, com uma colega de
faculdade. Aliás, não era exatamente uma
colega, pois estava dois anos antes que eu
no curso, no entanto, tentei fazer de tudo
para que passasse a ser percebido por ela.
Até mesmo passar a dar carona para ela quase
todos os dias. Detalhe, as aulas da
faculdade aconteciam em outra cidade,
próxima a São Paulo, perto de onde eu
morava, enquanto ela morava na zona sul da
capital paulista.
Pois bem, isto obviamente é apenas um
pequeno exemplo de coisas sobre as quais me
permiti estar submetido, por livre e
espontânea vontade. Pode ter certeza que
houve muitas outras, como deixar todo dia
que eu dava carona para ela, um cartão com
algum tipo de mensagem que expressasse o meu
sentimento. Foram perto de 100 cartões.
Confesso que tenho certeza que outros
apaixonados chegaram a fazer sacrifícios
muitos maiores do que os meus.
Mas a questão que gostaria de destacar não é
a paixão sem limite, que jamais foi
correspondida, mas sim a forma pela qual uma
pessoa, no caso eu, se predispõe a se
colocar deliberadamente sob o controle da
outra, de forma espontânea e sem qualquer
orientação da outra parte quanto a esta
necessidade.
Obviamente que esta relação não se
concretizou, pois não seguia o preceito
básico, a reciprocidade. Sofri muito, passei
muitos dias com uma grande tristeza comigo e
tentei de várias maneiras deixar que este
sentimento permanecesse do meu lado. Para
falar a verdade, foram alguns anos, que me
ajudaram a entender e, principalmente, a
aprender com toda esta situação.
Mas já faz tanto tempo, não? Sim, mas com
certeza, creio que foi o fato mais marcante
que aconteceu durante os meus tempos de
faculdade e que me ajudou muito para a minha
formação como pessoa e profissional: “É
impossível “fazer” com que alguém goste ou
respeite você, se você próprio não fizer
isso por você”.
Bem, já faz 20 anos, tenho certeza que o
e-mail que recebi desta minha outra colega,
que compartilhava desta carona também, pode
ter sido apenas uma coincidência, mas foi
muito legal relembrar disso.
Quanto a outra pessoa, que me propiciou este
aprendizado, nunca mais falei com ela, não
porque tivesse ficado qualquer sentimento
negativo, mas a vida faz isso com todos.
Muitas pessoas entram e saem de nossas vidas
de maneira muito intensa.
Possivelmente ela deve ter constituído
família com muitos filhos, tenha uma
carreira profissional em alguma área, que
confesso sequer sei qual é, e talvez nem
mesmo no Brasil ela esteja. Na verdade, e
sinceramente, as lições que tive foram e
serão ainda mais marcantes para mim e por
isso só tenho palavras de agradecimentos e
votos de felicidades para ela, assim como
para todos que, mesmo sem saber,
diariamente, nos ajudam a crescer.
José Renato
Consultor Empresarial
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