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Sou violeiro há tanto
tempo, canto as raízes, a cultura mineira e
brasileira, uma cultura tão forte na sua
identidade.
Como a piracema, vou
contrário às correntes de rio, nado contra a
correnteza, como os peixes no instinto de se
procriarem, assim faço optando em cantar a
vida, cantar a natureza, a preservação, os
sentimentos de amor, fé, amizade e “cumpadricidade”.
Valores tão contrários aos encontrados na
música de entretenimento e de massificação.
É minha sina, é meu
destino falar da cultura e das terras de
Minas Gerais, que tanto admiro! Tenho a
grande oportunidade de percorrer cidades,
vilas, fazendas, tantos cantos e encantos de
Minas. Conhecer tanta mataria, tantos cursos
d’água, tantas crenças, causos e tradições.
Tanta riqueza, que cada vez mais precisa do
homem para sua proteção. O mesmo homem que
dessa riqueza faz mal uso. Tão antagônica,
mas cada vez mais precisa situação. Ao ser
humano é dada a missão de proteger nossas
nascentes, nossas veredas, nosso cerrado,
nossos sertões e florestas, nossas montanhas
e serras.
Sou natural de São
João Del Rei, mas há muito radicado em Belo
Horizonte e, aqui tão perto de nós, temos o
Parque Estadual da Serra do Rola-Moça,
situado na região metropolitana de Belo
Horizonte. Nele, temos incluídas as bacias
dos cursos d’água Taboão, Rola-Moça,
Barreirinho, Barreiro, Mutuca e Catarina. O
Parque foi criado em uma área de mananciais
importantes para o abastecimento da região.
Por isso, é uma área de proteção especial, e
se o homem a maltrata, é o próprio homem que
sofrerá as consequências desses maus-tratos.
Quando canto, em cada
lugar, canto para que o público possa ainda
se reconhecer quanto a sua identidade. Canto
a esperança, a beleza que é expressão
Divina.
Aos meus filhos ensino
o valor da vida plena em harmonia com a
natureza e plena de afeto. Que mundo os
filhos de meus filhos herdarão?
A arte forma opinião,
a arte aglutina as pessoas em mutirão, a
arte pode ser expressão transformadora para
o Bem.
Assim é minha viola!
Que eu possa cantar Minas Gerais e suas
belezas naturais e culturais, que eu possa
ser mais um ser a dar as mãos a tantos que
ainda abraçam a vida!
Violeiro Chico Lobo
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