Javascript DHTML Drop Down Menu Powered by dhtml-menu-builder.com

 

Carlos Alberto de Sousa

 Projeto Premiar - CEMIG

José Bonifácio e as árvores urbanas

Podemos considerar a arborização urbana como o conjunto de árvores dentro do perímetro urbano, ou seja, indivíduos arbóreos das calçadas, praças, parques, canteiros centrais de avenidas e até de áreas particulares. Há um consenso com relação à sua importância e por isso esse complexo sistema vivo merece ser mais bem entendido e devidamente gerido.
É premente a necessidade de rever a forma como arborização urbana tem sido planejada e gerida nas cidades. As discussões sobre o tema ainda tem muito a avançar e ainda não há um consenso sobre a melhor forma de compartilhar ideias e avançar no que pode ser considerado o cerne de toda a questão envolvendo a arborização urbana e a sua interação com a cidade, a gestão integrada. As discussões ainda orbitam em temas básicos, como boas práticas de manejo e inventários de arborização urbana, não que esses temas não sejam importantes, mas sem um planejamento urbano adequado (a fonte das soluções, mas às vezes, também das questões) e uma gestão eficiente do “ativo” árvore, pode ser que as raízes profundas do lugar comum não permitam o avanço para uma visão mais sustentável da dinâmica da árvore enquanto equipamento bioclimático.
Podemos considerar que as questões técnicas das boas práticas em manejo da arborização urbana estão bem encaminhadas e praticamente consolidadas. Os especialistas contam com um bom cabedal baseado em normas e guias produzidos, sejam pelas universidades, sejam pelas entidades ligadas à arborização urbana. Se as questões técnicas já avançam em bom ritmo e estão consolidadas, onde está então a raiz do problema? A boa técnica deve ser precedida de uma gestão eficiente, e a gestão, por sua vez, se baseia em resultados e benefícios que possibilitam o negócio se manter por si só de forma sustentável.
Podemos considerar que nos municípios onde a gestão do manejo é eficiente, todos os aspectos do processo são monitorados e por estarem integrados, formam uma cadeia alto sustentável que alivia os cofres públicos, pois o ativo árvore é riquíssimo nos insumos que ele pode produzir para a sociedade tanto como benefícios bio-climáticos e de bem estar social como madeira, galhos e folhas, insumos ricos e com potencial de geração de receita para os cofres públicos.
Alguns municípios ignoram a riqueza dos materiais resultantes do processo de manejo de árvores, seja da poda, do plantio ou da supressão ou recolhimento de árvores. Um sistema eficiente de gestão da arborização urbana não deve considerar que os insumos produzidos por árvores prestam apenas para a produção de compostos orgânicos, esse é apenas mais um subproduto, e talvez o menos nobre. Considerando que os materiais resultantes do manejo não se restringem a galhos e folhas, os administradores públicos deveriam ponderar sobre qual a utilização mais adequados para as raízes, troncos (muitas vezes de madeira nobre) e galhos cujo diâmetro possibilitam outras utilizações e que poderiam ser armazenados e em ultima instância leiloados com a renda revertida para os cofres públicos em fundos para financiar a gestão e pesquisa em arborização urbana.
A nova dinâmica do mundo não permite mais que discussões sejam isoladas e não considerem todos os aspectos intrínsecos, toda a cadeia de valor e que se envolvam todos os stakeholders. Não basta discutir aspectos isolados do manejo da arborização urbana apenas focando nas atividades inerentes da rotina e sim pensar de forma integrada o tema do ponto de vista de uma gestão integrada do manejo onde são observados aspectos que sobrepõem os temas técnicos, ou seja, uma abordagem gerencial que tenha como preocupação tornar essa atividade de fato sustentável, além de envolver todos os intervenientes que possam auxiliar o gestor público agregando conhecimento, desenvolvimento, pesquisa e boas práticas planejamento e gestão.
Sobre o tema desse texto deparei-me dia desses com texto “Memória sobre a necessidade e utilidade do plantio de novos bosques em Portugal” escrito em 1802 por José Bonifácio de Andrada e Silva, texto que demonstra como algumas ideias são atemporais ou como alguns pensadores estão à frente de seu tempo.
Uma questão importante sobre José Bonifácio era que ele compreendia a “natureza como um recurso básico a ser utilizado no desenvolvimento social e material, e não algo a ser contemplado e preservado em sua pureza original. O desperdício e mau uso desses recursos, causado pela má organização da produção ou pela ignorância sobre as leis naturais o irritava profundamente.”
Incrivelmente aderente e com ponderações que devem ser compartilhadas, José Bonifácio inicia seu brilhante texto afirmando que, no que diz respeito ao plantio de árvores e arvoredos, “É esta necessidade tão manifesta hoje em dia, e é tal o esmero que há mais de meio século têm mostrado a este respeito as nações cultas da Europa que, para nos animarmos a imitá-las, basta pequeno patriotismo, e uma faísca de senso comum.” Sua preocupação com a manutenção e plantio de locais arborizados é clara, contudo ele pondera: - há de se ter senso comum ou seja integração de pensamentos e ideias.
Mais adiante em seu texto ele aborda os proveitos que podem as cidades tirar das árvores; primeiramente são os naturais que estão logicamente voltados para a melhoria do clima, do solo, do espaço urbano em geral. Ao ver do autor as matas foram diminuindo principalmente pela “indolência, egoísmo e luxo desenfreado de precisões factícias”, que destruíram em um dia a obra que a natureza levou séculos para compor. Pode se considerar que em algumas cidades a arborização não foi adequadamente planejada ou planejada não considerando o convívio com os demais equipamentos, o que com o tempo pode ter contribuído para a diminuição ou a dificuldade de se reimplantar as matas citadas por Bonifácio Até hoje é possível encontrar projetos paisagísticos que não consideram a convivência entre os equipamentos urbanos aéreos e subterrâneos e são escassos os municípios que de fato se esforçam em envolver todos os atores na discussão e planejamento de revitalizações e implantação de novos espaços públicos que integrem todos os equipamentos urbanos.
No que diz respeito aos proveitos políticos o nosso escriba observa que como utilidades políticas o plantio de novas matas e arvores poderiam possibilitar ao Estado suprir necessidades locais de lenha, tabuas, carvão, cinzas para compor adubo e até sabão, nada mais ecologicamente correto e sustentável. Além disso, ele observa a oportunidade de não recorrer a fornecedores externos para esses insumos o poderia permitir a economia e recursos municipais e sua destinação em outros usos.
Para tratar a questão, ele considera a necessidade de uma boa administração, única e enérgica, com o estabelecimento de novos regulamentos, gerais e específicos, adequados às circunstâncias locais que aproveitem boas ideias antigas e que se corrijam as que não são adequadas por melhores procurando fundamentá-las em princípios científicos e técnicos e principalmente gerenciais. Ele sugere que a sua execução seja responsabilidade de uma diretoria especifica única e autônoma que dirija e fiscalize o tema primando pela economia e responsabilidade.
A complexidade e a dinâmica das cidades não permitem que temas importantes como o planejamento, implantação, manutenção e gestão da arborização seja realizada de forma dispersa e isolada dos demais sistemas que compõem o espaço urbano e quanto disso isso estou considerando todos os equipamentos urbanos que convivem e são necessários ao bem estar do cidadão. Para tornar esse trabalho sustentável faz-se necessário que o administrador público, reflita sobre a real necessidade de criar um órgão especifico para gerir o ativo arborização urbana, mas que seja um órgão autônomo para gerir e que também tenha como função fazer com que essa cadeia seja de fato sustentável. Esse órgão deveria tratar o tema não apenas do ponto de vista das questões técnicas de plantio, poda, supressão e recolhimento de árvores caídas, mas sim uma abordagem com foco em resultados, na integração da cadeia de valor e dos atores envolvidos. Que tenha a responsabilidade de planejar e gerir toda a cadeia que a arborização urbana é responsável desde a produção de mudas até a utilização dos materiais com foco na geração de receita para financiar uma parte, se não o todo das atividades envolvidas na gestão integrada do manejo da arborização urbana na cidade.
Para que isso seja possível os municípios deveriam considerar parcerias publico privadas para o planejamento e gestão da arborização urbana. Esses parceiros seriam responsáveis por planejar e manter a arborização e teriam que desenvolver a cadeia de valor da arborização urbana de forma que os benefícios e insumos gerados pela atividade pudessem ser utilizados para refinanciar o sistema além de atuarem em conjunto com os responsáveis pelos demais equipamentos urbanos de forma a garantir que a arborização urbana em conflito fosse substituída ou os equipamentos remanejados, alem do que os novos plantios não gerassem conflitos posteriores com os demais equipamentos.
Colunas Anteriores: O primeiro passo... uma longa jornada
 
 



redesociais
Untitled Document
   

 

Gonzaga Medeiros
Os Rios na Curva da Morte

 
Fernado
Benicio

Às vezes caminho pelas ruas

 

Professor Renato
Uma experiência inesquecível

Toninho
Horta

O Primeiro contato do homem é
com a natureza

Sílvia Araújo Motta
Zeladoria do Planeta em Minas Gerais

Chico Lobo
Contra a massificação: música e
letra vindos do coração
Rogério
Zola
Santiago

Um projeto único, importante para o
 MUNDO




 
José Carlos Carvalho
Sobre as Mudanças propostas para
alteração do Código
Florestal
Paulo
Souza 
Lima

Teste
munha
Walter Dias
Manifesto H2O
Carlos
Alberto de Sousa

José Bonifácio e as árvores urbanas
Tadeu
Martins

O som do Carrão
Tião Vieira
Mistérios
José Renato
Quando pequenas atitudes fazem realmente a diferença
Ronaldo Vasconcellos
Sustenta
bilidade é palavra
de ordem
nos tempos que correm
Clésio Andrade
Código Florestal,
 a lei do Equilíbrio
 
Antonio Anastasia
Governador de Minas Gerais
Marcio Lacerda
Prefeito de Belo Horizonte
Adriano Magalhães
Secretario de Estado de Meio Ambiente
Carlos Roberto Rodrigues
Prefeito de
 Nova Lima
Heliomar Quaresma
Presidente
da
FUNDAMIG
Martinho da Vila
Descobri a mineira
Serra
 do Rola
Moça
Saulo
Laranjeira

Quando resolvemos escolher a Jardineira
Julio Nery
As belezas naturais do
 P. E. Serra
do Rola Moça
José Fernando Coura
O Parque Estadual da Serra
do Rola-Moça
Laércio
Marinho Dias

O Prefeito
de Ibirité
Valmir José Fagundes,
Major PM

O P.E Serra
do Rola Moça possui
grande valor ambiental
Vereador Léo Burguês de
Castro

Magnifi
camente retratado neste livro
Murilo
Domingos Duarte
Técnico
de Meio Ambiente

A parceria
em prol da preservação da bio-
diversidade
Seu Ribeiro
Seu Ribeiro
Compositor, violonista, violeiro, Eu venho do
pé da serra

 
Anderson Loboo
(pescador de Lua, admirador de cosmos e astronauta nas horas vagas).
sobre o pôr-do-sol
Wenderson Cardoso
A Educação Ambiental
como
 interface e instrumento
 de ensino e aprendi-
zagem socio
ambiental
 para a preservação
e conservação
Maria da Penha Mendes Furquim Werneck
APIRACEMA: ALEVINOS, PEIXES E GENTE – Por uma Cultura da Vida
Sob a perspectiva da Educação Ambiental
Whistefanni Sebastião
Educação Ambiental não pode ser comparativa
Mauro Costa Val
O ouro azul não tem preço
Washington Araújo
Rio+20: A falta que faz a fagulha da consciência humana
 
 
 
 


 


News Letter
Nome:
E-mail:



 
Untitled Document

  Zeladoria do Planeta

Política de Privacidade

Filiação

Mapa do Site

Faça do Link Minas sua home page

Anuncie

Contato