|
Na primeira metade do século XX, Mario de
Andrade já havia percebido que muita coisa
além de moças, “rolavam” na Serra que, em
1994, tornou-se Parque Estadual. No célebre
texto, o poeta destacava as agruras de um
casal cuja noiva despencou com seu cavalo do
alto de uma das montanhas desse
cartão-postal da Região Metropolitana de
Belo Horizonte.
Num exercício de abstração, pode-se comparar
a queda à sensação de mergulhar na beleza do
local que a região provoca no visitante. O
Parque Estadual da Serra do Rola-Moça é uma
ilha de natureza exuberante cercada pela
agressividade do homem que reluta em
observar seus próprios limites.
Exuberante e extremamente frágil. Ao mesmo
tempo que é refúgio de espécies que só
existem ali, a Serra trava uma luta diária
contra inimigos, muitas vezes ocultos, como
a que fez o cavalo da moça tropeçar. É o
caso dos incêndios que, diariamente,
preocupam as pessoas que trabalham e se
dedicam ao Parque.
Os campos ferruginosos, as nascentes, as
canelas-de-ema e o lobo-guará que por lá
vivem são os que mais se preocupam com a
preservação do Parque. Seguindo seu exemplo,
da mesma forma, todos os habitantes de Minas
deveriam se preocupar com as áreas de
preservação do Estado.
Esta publicação, traz imagens dos detalhes
que, somados, formam a exuberância do Parque
da Serra do Rola-Moça. Reuni-las é um
trabalho de aproximação com a natureza que
pode dar ao leitor o equilíbrio necessário
para saber que, assim como os cavalos que
levavam os noivos de Andrade, qualquer passo
em falso com a natureza pode ser fatal.
Principalmente para ela.
|